
Aos 27 anos, Tiago Fernandes está de bem com a vida. Não é dado a frustrações, apesar de jogar no distrital de Setúbal. Sonhou chegar ao patamar do pai, mas hoje, mais maduro, reconhece que "isso não é para todos. Ele foi um dos expoentes máximos do nosso futebol", diz, revelando que nunca teve a tentação de lhe meter uma cunha para chegar a voos mais altos. "O meu pai disse-me sempre que se não somos bons, as cunhas não funcionam. Mesmo assim ainda tive possibilidades de ir para clubes da II Divisão, mas financeiramente não compensa."
Até porque Tiago casou recentemente e espera ser pai de uma menina muito em breve. "A minha vida está aqui, trabalho com o meu sogro na construção civil e jogo no Alcochetense porque adoro este clube e as pessoas, sendo que já conhecia o mister Carlos Lóia que é espectacular a trabalhar na formação", explica, tendo nas últimas semanas conquistado os adeptos locais, conseguindo marcar sete golos, três dos quais ao eterno rival do Montijo. A euforia da hat trick foi tal que o conduziu à expulsão.
"Foi palermice. Levei um amarelo porque chutei uma bola sem ouvir o apito do árbitro e, quando marquei o terceiro, despi a camisola para festejar com os adeptos", recorda. Havia de levar um ténue puxão de orelhas do progeni- tor. "Perguntou-me se não me lembrava que seria expulso e disse-me que agora ficava um jo- go de fora para aprender. É a vida", concluiu.
Tiago viveu de "esperanças" até há bem pouco tempo, quando se convenceu a ficar por Alcochete. Nas camadas jovens, foi o pai que não o deixou ir para o Sporting, nem para o Benfica. Manuel Fernandes acreditava que o filho teria mais visibilidade em clubes mais pequenos. Começou no Montijo e até conseguiu ser sempre o melhor marcador nas equipas por onde passou, excepto na época passada ao serviço do Pinhalnovense. No primeiro ano como sénior surgiu a oportunidade de assinar contrato com o Sporting B, mas também não teve a sorte do seu lado. Coincidiu com a chegada de Manuel Fernandes a treinador da equipa principal, em 2000.
"Estava no Alcochetense e um olheiro do Sporting contactou-me sem saber quem eu era. Só quando lá cheguei é que o Damas, que era o treinador, me conheceu. Depois o meu pai saiu do clube, e eu também." Já quando jogava nos juniores do Barreirense esteve perto de assinar pela Académica de Coimbra, mas também aí o pai não o quis longe de casa - Sarilhos Pequenos.
E para o futuro? "Estou muito bem aqui, já tenho sete golos e não joguei os primeiros quatro encontros", diz, resignado, acreditando que a equipa, apesar de ocupar a quarta posição, a nove pontos do líder Sesimbra, ainda pode subir de divisão. A prioridade vai para a filha que aí vem e para a conclusão do 12.º ano. "Tenho de conseguir evoluir na minha profissão, embora não queira andar no futebol só por andar. Quero treinar sempre bem e respeitar o treinador. Foi isso que sempre ouvi dizer ao meu pai", sublinhou.
Fonte: DN
Foto: A.F.Setúbal
1 Comentários :
Mas alguém acredita nisso ??
Qual o pai que não quer que o filho agarre uma oportunidade destas ?
Não venhas com tangas és bom jogador para a distrital e nada mais, não tens pézinhos para mais !!
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